segunda-feira, 24 de novembro de 2008

...

Para você,
sou apenas um guardanapo!
Toco poucos lugares do seu corpo,
além da boca!


Edson Carvalho Miranda
24-11-2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Consciência afro-descendente

Passei o feriado, ou o dia dedicado a consciência negra tentando entender o que nos trouxe até aqui até o agora, o hoje!

Não que não seja justo ter um dia de reflexão, ainda mais quando o Dia é criado em memória a um dos maiores ícones da história da nossa sociedade. Mas... reflexão sobre o que mesmo? O Que nos levou a conceber essa comemoração?

Há sim! O racismo.  Essa segregação, esse sentimento misturado com cultura, onde uma linha fina e tênue separa a piada da ofensa racial, do crime. Sim, pois de uma forma avessa, no Brasil hoje é crime, ou politicamente incorreto, dizer que um cidadão que tem a pigmentação da sua pele de uma determinada cor e chamá-lo por essa característica, de fato é justificável, afinal os cidadãos brasileiros, que agora temos que chamar de afro-descendentes, eles merecem todas as nossas homenagens, o nosso respeito e o agradecimento pela cota de participação na construção da nossa sociedade, claro que é justo! Justo e louvável.

Assim como foi justo para com os índios que essa mesma sociedade matou, e não satisfeita em exterminá-los, está apagando o pouco que ainda permanece do seu passado, da sua civilização, da sua cultura, transformando os remanescentes em capitalistas! Capitalistas corrompidos é bem verdade, e corruptores também, pois adquiriram certo poder... Pobres vítimas assim como os afro-descendentes.

Fico pensando em negros, índios, mamelucos, bugres, mestiços, caipiras, caboclos, alemães, italianos, turcos, sírios, libaneses, (parada para respirar) japoneses, decasegs, “nunsei”! Só sei que acabo ficando cafuso, ou digo, confuso ao perceber aonde cheguei refletindo!

Afinal esses todos, assim como os índios e os negros, também não são brasileiros, tanto quanto, os portugueses?

Eles também não ajudaram a construir essa sociedade, essa pátria que a todos nós acolhe?  

Então, vamos ser justos, resolveremos todos os problemas ligados ao racismo, criando um dia e um feriado de reflexão para cada uma das etnias e descendências. Pronto! O Brasil passará a ser o país mais democrático e justo do mundo. Não trabalharemos mais, é bem verdade, por conta de tantos feriados, ou sairemos da miséria ganhando hora extra de 100%! Mas, será que deixaremos de ser preconceituosos?

Sim! Preconceituosos..., afinal o problema não está na raça e sim no preconceito contra alguns que fazem parte de cada uma delas. E o pior! O preconceito na maioria das vezes começa ou parte daqueles que são da raça discriminada, mas por algum motivo se acham diferentes ou superiores, aí discriminam os seus semelhantes de raça, de etnia, de sangue.

            Não sou contra nenhuma manifestação que siga na direção de convivermos o mais pacificamente possível respeitando as diferenças, mas sou contra a criação dessas datas comemorativas que só fazem piorar o que já é ruim, sou contrário às cotas (separação por raça) e qualquer coisa que segregue um brasileiro dos demais.

Digo isso porque o dia que deveria ser o dia da consciência, não só a negra e sim a de todos os povos que compõem o Brasil, é o dia do folclore que anda esquecido, jogado, discriminado. Mas é o dia onde as tradições de todos os brasileiros independente da cor são ou deveriam, ser exaltadas, refletidas, direcionadas, relembradas, contadas e comemoradas com orgulho, todos juntos, afinal somos brasileiros,  ou até mesmo poderia ser o dia primeiro de janeiro, Dia mundial da paz,  Dia da confraternização universal entre os povos, mas parece não ser muito importantes para alguns... Quero só ver o dia que um “branquelo”, pobre, chegar numa delegacia de bairro nobre querendo prestar queixa de um cidadão afro-descendente com status dinheiro e poder que o tenha ofendido de forma racial, ou preconceituosa o que fará esse delegado?

Li muita coisa sobre segregação, racismo, preconceito, miséria e cheguei à conclusão que a cota que o Brasil precisa é de comida e saúde, até mesmo um pouco menos de cota de dengue,  para os pobres e, posteriormente, educação de qualidade, para todos!

Ao refletir no dia da consciência negra, sobre esses dias dedicados para alguns, sobre a incoerência, a segregação e as cotas, vi que a cada lei que o senado e o congresso aprovam, seja ela para diferenciar uma raça da outra ou diferenciar mulheres de homens ou mesmo para privilegiar alguns por sua cor, crença ou raça ignorando o mérito e a condição social, cada vez mais nos tornamos menos humanos e a sensação que fica é que estamos fazendo o caminho inverso ao trilhado pelos nossos ancestrais, os primitivos homens das cavernas. 


Edson Carvalho Miranda 

20-11-2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Diálogo (para que não se percam nossas palavras)

Caro amigo, não deixarei que nossas palavras se percam entre os tempos, pois o que há é o carinho que poucos compreendem e que muitos, tanto se queixam de tal ausência...

Aldo:
Franca, sinta minhas palavras.

Tem sido um tempo de parcos poemas. As razões para tal têm sido poucas. Busco inspiração nas amenidades.
Já é mais "humano" existir por ter você para compartilhar estas palavras e a poesia.
Observo que há letras tuas num blog, muito bom, por sinal. Escreva, flua no que sentir e sinta o que escreve.
Espero seguir minhas palavras e o teu exemplo...
Um forte abraço,
Aldo

Pois te digo, querido companheiro, Aldo:
Sinto tuas palavras tão quanto, o forte abraço que me envias.
E para quê existimos, senão para compartilhar, viver e fluir na poesia?
Estou, estarei, sempre aqui meu amigo... para que antes, durante e depois de cada 'chuva', possas ter um abrigo... e espero ser sempre justa, a cada tua palavra de ternura que vem a me agraciar.


AINDA QUANDO...

Sim, meus amigos, recordemos a palavra de Paulo, o apóstolo da libertação espiritual.
Ainda quando senhoreássemos todos os idiomas de comunicação entre os homens e os anjos, na Terra e nos Céus, e não tivermos caridade...
Ainda quando possuíssemos as chaves do conhecimento universal para descerrar todas as portas das grandes revelações e não tivermos caridade...
Se conquistássemos as maiores distâncias atingindo outros planetas e outras humanidades no Império Cósmico e não tivermos caridade...
Ainda quando enfeixássemos nas mãos todos os poderes da ciência com a possibilidade de comandar tanto os movimentos do Macrocosmo, quanto a força dos átomos e não tivermos caridade...
Ainda quando conseguíssemos dominar a profecia e enxergar no futuro todos os passos das nações porvindouras e não tivermos caridade...
Então, de nada terão valido para nós outros as vitórias da inteligência, porque, sem amor, permaneceremos ilhados em nossa própria inferioridade, inabilitados para qualquer ascensão à felicidade verdadeira com as bênçãos da Luz.
(Batuíra - por intermédio de Chico Xavier)


"Acima de tudo, guarde o seu coração, porque dele brota a vida."
(Provérbios 4:23)

Saudações poéticas ao querido companheiro de letras e sentimentos, Aldo.
Abraço fraterno
aos demais amigos e visitantes do "Realidade a Varejo".
Franca Leal

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Alusão a Resende


Para falar de minha cidade
Quero rimas simples,
Rimas brancas,
Rimas fáceis,
Rimas tantas.

Pois minha cidade é assim,
Sem nada descomunal,
Sem arranha-céus,
Sem construções faraônicas,
Sem multidões atônitas.

Quero apenas falar da Resende de meus sonhos
Quando criança aos sete anos de idade.
Quando era tudo para mim,
Meu mundo, meu globo.
Minha rua, onde tudo acontecia,
Onde brincava de piques,
Onde dei meu primeiro beijo.

Quero falar da Resende que vejo hoje,
Uma Resende que é tudo o que me sobrou.
Uma Resende que é minha ilha,
Meu refúgio alheio...
Alheio às guerras,
Alheio aos conflitos,
Alheio a este mundo...
Este mundo carcomido,
Este mundo poluído,
Um mundo um tanto desiludido.

Mas, para falar de minha cidade
Não quero suspiros,
Não quero fanfarras,
Não quero estátuas de bronze
Nem bandas tocando na praça.

Quero apenas uma foto encardida pelo tempo
De sua ponte de metal em minha gaveta.
Quero somente a lembrança dos tempos de criança,
A esperança de lhe ter sempre como um refúgio.

Sendo assim,
Não me venha com ufanismo
Nem com um pseudolirismo,
Pois já estou velho e cansado demais.
Para retratar minha cidade venha assim,
Com rimas simples,
Com rimas brancas,
Com rimas fáceis,
Com rimas tantas.

Não me venha com artificialismo,
Sonetos, métricas e coisas afins.
Porque eu quero antes falar da Resende
Que existe dentro de mim.


abraços,
WML

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Linhas de consolo

Nas linhas em que venha
a pousar seus olhos agora
trazendo conforto e consolo,
sentimentos partilhados
nessa chuva de luz que não vemos,
que se faça sentir como alento
no peito daqueles que sofrem.

Bem aventurados os que choram,
porque sentem, enobrecem,
fortalecem o laço de superação
na vida ou na morte
afagando a existência,
enfeitando o cenário,
abrindo uma janela
para a glória maior
e enfim, o aconchego.

* Jenny Faulstich

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Inconsciente

Inferno de medos.
Calor de um sentimento
que me cria a fome
de inspiração,
de desejo,
de querer e não poder.
Insensatez.
Agir sem intenção,
insconciente ou não,
loucuras de um coração.

Franca Leal

Amigos do “WC”

Pois é! Passei a vida toda tentando descobrir algumas coisas complicadíssimas sobre a terra, sobre o homem, sobre a mulher (o orgasmo então nem se fala), sobre o início de tudo, onde estamos, para onde vamos, quem somos e o que existe depois de tudo isso.

Até que um dia desses praticando filosofia etílica ou “de botequim” com um grande amigo, chegamos à conclusão de que buscávamos muito mais da vida do que poderíamos ter ou até mesmo entender. Sim, é verdade! Imagine só que depois de dissertarmos a cerca da criação do universo, do orgasmo feminino (não chegamos a nenhuma conclusão que se possa ser levada em consideração), passarmos pela existência divina, concluirmos que Elvis não morreu (ou morreu?), enfim nada disso importa muito!

O que de fato importa é que descobrimos que não sabíamos o significado da sigla “WC”, o que até então sabíamos é que universalmente indica banheiro, louco isso não? Sabemos para que merda ela serve, mas não sabemos que merda ela significa. Cheguei a pensar até em uma piadinha: “Descobri que não sabemos de merda nenhuma!”, mas resolvi não comentar, por muito medo de perder o abacaxi cheio de vodka, ou digo, de perder o amigo.

Pois é! Se juntar os vinte e muitos anos do meu amigo e mais uns vinte e tantos outros muitos meus, lá se vão mais de 60 anos da mais pura ignorância sobre as coisas simples da vida. E isso me fez repensar toda a minha vida e relembrar das coisas simples que me deram muita felicidade, como por exemplo, que passei boa parte dessa ignorante vida, procurando saber o coletivo de sapo. Agora me dou conta de ter procurado por muito tempo o substantivo, mas que passei momentos agradabilíssimos junto à família e amigos, pois cada vez que o assunto vinha a tona riamos muito com as diversas opiniões erradas e distorcidas acerca do assunto. Pois era exatamente essa descontração que trazia a sensação de leveza no espírito e felicidade.

A parte engraçada é que só me lembro de quando descobri a solução desse doce problema, porque a pessoa que me falou, fez com que a solução da minha dúvida fosse especial, pois se não fosse assim eu já teria esquecido, assim como esqueci aquela “maldita” regrinha, da qual os professores se aplicaram por diversas vezes a ensinar-me. Uma em que diz que alguns substantivos coletivos são compostos do substantivo mais o sufixo “ria”, ou algo parecido.

“Que meus professores nunca leiam este texto.”

De tudo, vejo hoje que sonhei em ser feliz com as coisas grandiosas e fui surpreendido pela vida com as mais singelas, pois a felicidade não está no fim, ou no resultado, está no caminho que percorremos.

Depois de muito pensar, sobre os dois ocorridos e praticar muita filosofia etílica individual e também grupal envolvendo todos os participantes na questão, percebi que se hoje descobri que não sei merda nenhuma nessa vida, eu agradeço aos meus grandes amigos. Percebi também que se vou aprender mais alguma merda nessa vida de agora em diante eu também vou dever isso a eles. Tendo aprendido toda essa merda, e se é que merda tem algum lado bom ou existe merda no bom sentido. Aqui termina mais uma pequena e feliz jornada da minha vida ao descobrir o significado da sigla “WC”. Agora sei que outras caminhadas virão assim como também virão novos amigos, afinal esse é o grande mistério da vida, o ciclo, a cada dia aprendendo uma merda nova, mas que fazem toda a diferença para ser feliz.

Eu já ia me esquecendo de esclarecer sobre o que me levou a escrever essa merda toda. “WC” significa: juntar seus amigos em uma grande roda, perguntar coisas como as que aqui foram descritas e dar muitas risadas.

Então meu conselho a todos é : Aproveite e viva os momentos felizes dos quais ela é composta e pare de buscar coisas grandiosas felicidades utópicas ou baseadas em sentimentos e bens.

Quanto ao “WC” pesquise no Google, quem, sabe você não consegue dar boas risadas assim como todos que participaram dessa caminhada.



Edson Carvalho Miranda

11-11-08


Agradecimentos:

A todos os amigos que viveram essas experiências junto a mim e aos colaboradores dos blogs “Realidade a Varejo e O bucaneiro”, que a cada dia ficam mais a cada de todos nós, navegadores, bucaneiros do conhecimento e desse gigantesco mar digital.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Trilha Sonora I - Pós 'Dia das Bruxas'


Resolvi compartilhar com os amigos e visitantes do Realidade, algumas músicas que têm formado a trilha sonora desses meus últimos dias... Entre altos e baixos, mais baixos que altos, até porque geralmente as músicas têm um quê de "dor de cotovelo" ou algo parecido e em estilos variados, segue então, rs. (Fonte: http://letras.terra.com.br)
Abrçs,

Jenny


Canção pra você viver mais

Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar

Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá

Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais

(Intérpretes: Pato Fú)


Epitáfio

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

(Intérpretes: Titãs / Composição: Sérgio Britto)




Palavras de um futuro bom

Anda!
Enquanto o dia acorda
A gente ama
Tô pronto prá te ouvir
Aqui na cama
Te espero "vamo" rir
De todo mundo
Nesse quarto tão profundo

Pára!
Repara!
Tente ver a tua cara
Contemple esse momento
É coisa rara
Uma emoção assim
Só se compara
A tudo que nós já
Passamos juntos

Preciso tanto
Aproveitar você
Olhar teus olhos
Beijar tua boca
Ouvir palavras
De um futuro bom

Palavras! Palavras!
Palavras de um futuro bom
Palavras! Palavras!

Preciso tanto
Aproveitar você
Beijar teus olhos
Olhar tua boca
Ouvir Palavras
Palavras! Palavras!
De um futuro bom...

(Intérpretes: Jota Quest / Composição: Rogério Flausino)



Nasci para Chorar

Eu levo a minha vida chorando pelo mundo
Talvez até tivesse algum desgosto profundo
Procuro na memória, procuro me lembrar
Mas eu não posso
Nasci para chorar

Se vejo uma garota olhando para mim
E ela me pergunta por que eu sou tão triste assim
Eu fico sem resposta, digo adeus e vou embora
Pois é hora
É hora de chorar

E ainda continuo a felicidade procurando
Mas sempre solidão e a tristeza encontrando
Às vezes desconfio que a alegria é ilusão
E que o amor, não entra no meu coração

Não sei por que razão eu sofro tanto desse jeito
As garotas dizem que ser triste é meu defeito
Eu quero é ser alegre, ter alguém para amar
Mas eu não posso, não posso, nasci para chorar.

(Intérprete: Cássia Eller / Composição: Dion di Mucci / Erasmo Carlos)


Sinônimos

Quanto o tempo o coração, leva pra saber
Que o sinônimo de amar é sofrer
No aroma de amores pode haver espinhos
É como ter mulheres e milhões e ser sozinho
Na solidão de casa, descansar
O sentido da vida, encontrar
Ninguém pode dizer onde a felicidade está

O amor é feito de paixões
E quando perde a razão
Não sabe quem vai machucar
Quem ama nunca sente medo
De contar o seu segredo
Sinônimo de amor é amar

Quem revelará o mistério que tenha fé
E quantos segredos traz o coração de uma mulher
Como é triste a tristeza mendigando um sorriso
Um cego procurando a luz na imensidão do paraíso
Quem tem amor na vida, tem sorte
Quem na fraqueza sabe ser bem mais forte

Ninguém sabe dizer onde a felicidade está
O amor é feito de paixões
E quando perde a razão
Não sabe quem vai machucar
Quem ama nunca sente medo
De contar o seu segredo
Sinônimo de amor é amar

(Composição: Chitãozinho e Xororó / Zé Ramalho)



Não aprendi dizer adeus

Não aprendi dizer adeus

Não sei se vou me acostumar

Olhando assim nos olhos teus
Sei que vai ficar nos meus

A marca desse olhar


Não tenho nada pra dizer

Só o silêncio vai falar por mim

Eu sei guardar a minha dor

Apesar de tanto amor vai ser

Melhor assim


Não aprendi dizer adeus mas
Tenho que aceitar que amores

Vem e vão são aves de Verão

Se tens que me deixar que seja

Então feliz


Não aprendi dizer adeus
Mas deixo você ir sem lágrimas

No olhar, se adeus me machucar

O inverno vai passar, e apaga a cicatriz.


(Intérpretes: Leandro e Leonardo / Composição: Joel Marques)



Mais uma Vez


Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança

Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende


Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança.

(Intérpretes: 14 Bis / Composição: Flávio Venturini - Renato Russo)


*** Gostaram??? rs

sábado, 8 de novembro de 2008

Causalidade



Nunca entendi a arte que se explica. Sempre critiquei as explicações dos artistas plásticos a respeito de suas obras, contudo...

O poema acima é fruto infecundo de minhas incursões na poesia concreta. Tem toda uma explicação pseudo-filosófica sobre aquela dicotomia e antagonismo complementar entre o reducionismo cartesiano-newtoniano (vendo tudo como fruto de regras naturais bem definidas, causa-efeito) e a complexidade de Morin, Prigogine, Maturana etc.

Mas se eu tiver que explicar significa que realmente o poema não tem poesia... ou muito concreto para pouca arquitetura.

Por sinal, Morin defendia que alguns poemas falam mais de filosofia que os próprios textos filosóficos.

Vai saber...


WML

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

"Tudo passa"

Realmente, tenho dito. E já que a amiga Inês Dalla Vecchia tocou no assunto, vou contar meio que informalmente, como adotei essa frase. Aliás essa história me foi contada não faz muito tempo, por alguém que a ouviu do próprio Chico Xavier.
Chico disse que num dos diversos
momentos em que se viu em extrema dificuldade e amargura, quando o cansaço e a dor pareciam lhe corroer por inteiro, e se sentia incapaz de continuar seus trabalhos, ele orou e pediu ao Mestre que lhe permitisse o descanso do seu corpo e sua alma, visto também que já estava muito doente, ou que ao menos lhe desse um consolo para amenizar suas dores físicas e mentais. Quem respondeu foi Emmanuel, dizendo a Chico que anotasse a seguinte frase: "TUDO PASSA" e a colocasse na cabeceira de sua cama, para que todos os dias ao acordar, se sentindo extremamente cansado e incapaz, recordasse simplesmente de quê 'tudo passa', a aflição, a dor, a tristeza, o cansaço, e que não poderia deixar de cumprir com seu trabalho, suas responsabilidades, sua missão...
Não sei dizer em qual livro esse texto foi
publicado, mas qualquer hora dessa eu páro para procurar. Postarei futuramente para informar, ou quem souber, por favor deixe sua participação nos comentários. Segue:

"Todas as coisas, na Terra, passam:
Os dias de dificuldades...
Os dias de amargura e solidão...
As dores e as lágrimas...
As frustrações que nos fazem chorar...
A saudade do ser querido, que se vai na mão da morte...
Os dias de glórias e triunfos mundanos, em que nos julgamos
maiores e melhores que os outros...
Essa vaidade interna que nos faz sentir
como o centro do universo...
Dias de tristeza...
Dias de felicidade..."

Ou seja, tudo que passamos são lições necessárias, e que, na Terra, passam, massss deixam no espírito imortal as experiências acumuladas.

"Não há mal que dure para sempre."


"TUDO PASSA!"


Aliás ainda não coloquei na cabeceira da minha cama, mas vou colocar, pois mesmo que eu diga sempre, tem momentos em que também esqueço e acabo por sofrer mais do que o "combinado" e como também digo sempre por meio de outra frase adotada (essa já adotada há muito tempo): "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional".

ps.: Algo da qual não vou esquecer, é de quem estava ao meu lado, recebendo junto comigo essa mensagem. Meu muito querido amigo, Leonardo Ribeiro (Léu), a quem gostaria de dizer: muito obrigada, de coração, pelo carinho, pela atenção e por todas as lições.

* Jenny Faulstich

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

À perda de um ente querido


Quebra-se o vidro:
Vermelho-chão.
Parte-se a garrafa:
Penetra na fresta,
No furo, no vão.
Ex-vinho, ex-festa.


Resende, 2008
WML

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Carícia nos lábios

Carícia nos lábios.
Carícia refrescante
que escorre,
que atenta,
simples beleza.
Antes que eu pense
me oferece
aceito, sacio
e devolvo-lhe
a garrafa de cerveja.

Franca Leal

Ou...

Estás no meu olhar que se perde na multidão...
Por esse sentimento involuntário te peço perdão.
Pelo desejo intenso que me dói no corpo,
peço de tua compreensão somente um pouco,
o suficiente para que possa me devolver o fôlego,
ou o dobro para satisfazer tão carnal anseio
e que finalmente possa repousar em meu seio,
desavergonhado, saciado, muito bem acompanhado.

Franca Leal

Deus

Deus sentado nas nuvens
Com barbas
Tão longas
quanto brancas
Rindo
De suas piadas
Criadas:
Humanos matando por Deus
Humanos matando por Deus

Resende, 2008
WML

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Poemas (um cárcere?)


Há muito não escrevo poemas,
Ao menos, não em verso.
Porém, a inspiração, eu a meço
Em pontos, vírgulas ou tremas.

A prazo à vista a varejo –
A realidade é o que vejo,
Privada pessoal intransferível,
Um universo a todos invisível.

As rimas me escapolem às mãos.
Desdenho-as. Não as desejo.
Aliterações de psitacídeo em solfejo,
São sons repetidos em vão.

Gutural e espasmódica,
Em gesso branco cal gótica.
É Poesia encarcerada em pena,
Presa nas presas do poema.


Resende,04/11/08
WML


domingo, 2 de novembro de 2008

Faxina

Às vezes somos obrigados a mexer em nossas bagunças. É um trabalho difícil... tirar tudo do lugar para ver o que há de útil ainda pode ser um processo lento e desgastante, mas absolutamente necessário.
Ontem estive remexendo em uma caixa antiga. Achei-a em um lugar que pouco ou nunca visito; o porão. É um lugar feio. Escuro. Abafado. Pesado. Tenho certo medo do porão... tenho a sensação de que fantasmas podem me atacar naquele lugar.
A caixa estava muito empoeirada e muito pesada. Percebi que se quisesse abri-la teria q fazê-lo ali mesmo. Com certo esforço consegui soltar a fita que a lacrava e pude rever os objetos que havia posto ali.
Lembranças... tantas que era impossível contar. Amores mal resolvido. Relacionamentos fracassados. Algumas risadas e muitas, mas muitas fotos.
É estranho como podemos nos perder de nós mesmos. Fotos antigas nos mostram a pessoa que éramos e avivam as diferenças entre o que nos tornamos e o que desejávamos pra nós. Encontrei uma antiga foto minha com alguns amigos... faz tão pouco tempo, cronologicamente falando, mas parece que foi há um século.
Éramos tão jovens, tão sorridentes, tão descompromissados com tudo. O que mudou? Onde estão meus amigos? Por que nos afastamos tanto a ponto de não nos dizermos mais sequer "olá"? Vasculho mais um pouco na "caixa" e encontro a resposta, soterrada sob cartas e bilhetes velhos. Orgulho demais cega o espírito e envenena a alma.
Quem nunca foi orgulhoso demais para voltar atrás após um erro? Quem nunca perdeu no tempo um laço importante apenas por não dizer o que deveria ser dito no momento certo? Quantas vezes exageramos e deixamos que a raiva e o rancor destruíssem algo que nos era caro?
Ahhh... apenas quando olhamos para nossas "caixas", aquelas que guardamos em nossos "porões emocionais", é que percebemos quantas coisas inúteis guardamos, ocupando o lugar de outras bem mais importantes. Olhando para minha vejo que guardei muita coisa boba, muita quinquilaria que, hoje, de nada me serve.
E é por isso que é tão difícil fazer faxina. Limpar. Jogar fora. Livrar-se de inutilidades. Dizer pra si mesmo que aquilo que era importante não nos serve mais, não tem mais lugar em nossas vidas. Chega um tempo em que as mágoas devem ser abandonadas, os rancores varridos porta a fora para que algo maior possa entrar.
Retirei algumas fotos da caixa e olhei-a, mais uma vez, certa de que seu conteúdo não mais me interessava. Eram apenas tralhas inúteis, afinal.